5 discos para sobreviver a setembro

os dias quentes estão chegando

MÚSICA

9/1/20264 min read

Sessão das 10 - Sociedade da Grã-Ordem Kavernista

Minha descoberta preferida do último mês.

Uma banda formada por Raul Seixas, Sérgio Sampaio, Edy Star e Miriam Batucada.

O álbum experimental mistura rock, samba, forró, muita criatividade e humor. Com um tom de deboche, o disco satiriza a sociedade da época.

Gravado em 1971, quando Raul trabalhava na gravadora CBS, o disco saiu de circulação apenas 15 dias após seu lançamento, já que a gravadora não tinha noção do teor das canções.

Esse disco é realmente uma pérola da música popular brasileira. Vale muito a pena ouvir!

Agosto foi Cruel.

Ciclos encerrados, noites mal dormidas, desafios que pareciam invencíveis, crises existenciais, palavras que cortaram e, como se não bastasse, dois eclipses lunares.

Então, hoje eu trago os discos que me ajudaram a atravessar o mês mais longo do ano. O que tocou no meu radinho enquanto eu estava na fossa e nos momentos em que eu consegui ser feliz no simples também.

Uma coleção completamente aleatória, com descobertas e antigos amores revisitados.

Que alguma dessas músicas te arranque um sorriso ou uma memória boa. Se te arrancar lágrimas, que seja também, é tempo de deixar ir.

Setembro chegou. E logo as flores vão se abrir.

Cruel - Sérgio Sampaio

Cruel foi o último disco do mais maldito dos malditos. Gravado em 1994, ano de sua morte, mas lançado postumamente apenas em 2005.

Um disco extremamente poético e melancólico. Para corações partidos e amores perdidos. Fala também das dores da vida de um artista incompreendido, com dificuldades financeiras e que não se encaixava no que era popular à época.

O título de “malditos da MPB” se refere a um grupo de artistas que produziam uma sonoridade completamente destoante do que tocava nas rádios. Sérgio Sampaio, Luiz Melodia, Itamar Assumpção, Jards Macalé e Jorge Mautner eram experimentais e se posicionavam politicamente em uma época de ditadura.

Eles rejeitavam os padrões comerciais e hoje são considerados grandes nomes da música nacional. Muitos só tiveram maior reconhecimento quando tiveram suas músicas gravadas por outros artistas mais populares.

A próxima indicação também vem dessa fase.

Abaixo de Zero: Hello Hell - Black Alien

Sinceramente, não sei se é possível dizer algo sobre esse disco que já não tenha sido dito. Um clássico do rap nacional contemporâneo, por um dos nomes mais consolidados da cena.

Esse álbum veio como uma verdadeira volta por cima. Depois de anos sem lançar nada, Gustavo voltou e mostrou a que veio. Com a lucidez de quem sabe tudo pelo que passou, reconhece seus pontos fracos, mas também suas forças.

Ele combina o rap clássico com elementos de jazz, funk, soul e reggae, além da caneta afiadíssima do nosso querido Gus.

Um dos meus artistas preferidos, sem dúvida. Esse disco é sempre um respiro no meio de um dia difícil.

Mudei de Ideia - Antonio Carlos & Jocafi

O disco começa com a minha canção preferida, Você abusou, que carrega o peso dos seguintes versos:

"Se o quadradismo dos meus versos
Vai de encontro aos intelectos
Que não usam o coração como expressão"

Mas, por trás de uma canção triste sobre um amor não correspondido, esse hino é, na verdade, um afronte à ditadura militar.

E não vá achando que, só porque o disco começa pesado, ele não vai te render algumas alegrias depois.

Kabaluere foi sampleada pelo já citado aqui Marcelo D2, em “Qual é?”. Mais recentemente, outra banda consagrada fez algumas parcerias com a dupla baiana: o BaianaSystem. Um encontro que se estende ao longo dos anos e que já rendeu algumas canções. Além disso, ninguém menos que Stevie Wonder já interpretou uma de suas canções.

O disco não perde o tom: passeia pelo samba, funk e rock psicodélico, em uma experiência musical do início ao fim.

We Go Again - ENNY

Esse LP é cereja do bolo. A depressão está saindo do seu corpo quando você dá o play em Charge It. Os pássaros cantam, o sol saiu, a vida segue.

O projeto é um diário pessoal da artista, fala sobre amadurecimento, relacionamentos, inseguranças, resiliência e a vontade de fazer dar certo. A própria ENNY descreveu seu trabalho como um “pacote de autocuidado”.

Ela caminha pelo rap, um R&B delicioso, soul, jazz e lo-fi. Não tem como dar errado.

Esse disco é um lembrete de que tudo que podemos fazer é tentar. Nem sempre as coisas são como gostaríamos, mas o caminho pode ser bom.

We go again.